Programa Alerta – Integração Sensorial

Neste post  comento e indico, uma estratégia de intervenção em Integração Sensorial chamada Alert Program. Conheci este programa com as TOs Heloiza Goodrich e Maria Cristina Oliveira. Tenho utilizado no consultório com bons resultados.

Este programa de tratamento foi desenvolvido pelas terapeutas ocupacionais americanas: Mary Sue Williams e Sherry Shellenberger. Essas autoras publicaram diversos materiais sobre o tema, inclusive as apostilas do Programa e cadernos de atividades e orientações. Quem tiver a oportunidade de trazer dos EUA ou importar pelos sites das grandes livrarias, recomendo.

A seguir, faço um resumo traduzido e adaptado da apostila para vocês conhecerem.

O Programa Alerta ajuda os estudantes a compreenderem a teoria básica da Integração Sensorial relacionada aos estados de alerta. O primeiro foco consiste em auxiliar a criança a monitorar, manter e mudar seu nível de alerta de modo que ela se adapte e consiga se comportar sensorialmente de forma apropriada a uma determinada situação ou tarefa.

Este programa foi desenvolvido para crianças com problemas de aprendizagem com idade entre 8 e 12 anos, utilizando em sua maioria, atividades que incorporam técnicas de Integração Sensorial, com abordagens cognitivas e que pode ser implementado por terapeutas, professores e familiares (sempre orientados pela TO com formação em Integração Sensorial).

 O Programa Alerta auxilia os professores a reconhecer estados de alerta dos seus alunos relacionando-os com o tempo de atenção, aprendizado e comportamento da criança; ao mesmo tempo, auxilia as crianças a reconhecerem e expandirem suas estratégias de auto-regulação numa variedade de tarefas e ambientes. Para a família, terapeutas e professores, o Programa Alerta oferece um quadro de trabalho com vocabulário, atividades e ambientes adequados que ajudam os adultos a ensinarem crianças a se reconhecer e regular-se.

Para a criança manter-se atenta, concentrada e realizar as tarefas com sucesso, de uma maneira que atenda às expectativas do ambiente, o sistema nervoso precisa trabalhar num estado de alerta “ótimo”. Isso quer dizer que, nós seres humanos, regulamos o nível de alerta conforme as atividades que estamos fazendo para nos manter atentos. Por exemplo: mais agitados numa aula de Educação Física e mais tranqüilos numa aula de leitura. Entretanto, o ideal é não estar tão agitado que possa comprometer a atenção e o desempenho no jogo na Educação Física ou não tão tranqüilo e sonolento que comprometa a leitura. Daí a importância de se auto-regular. O problema é que algumas crianças não conseguem fazer isso sozinhas…

Auto-regulação é a habilidade de atingir, manter e/ou mudar o estado de alerta de forma apropriada a uma determinada atividade ou situação. A auto-regulação envolve uma série de conexões neurológicas no cérebro, incluindo tronco cerebral, formação reticular, hipotálamo, tálamo, sistema nervoso autônomo, cerebelo, sistema límbico e todos os sistemas sensoriais incluindo o sistema vestibular e o córtex.

Os autores Cutler, StevensDominguez, Oetter e Wetsby (1993), desenvolveram uma forma didática de compreendermos o desenvolvimento da auto regulação do nosso alerta em três níveis funcionais:

  1. Primeiro nível: quando ainda somos bebês, a auto- regulação do estado de alerta acontece pelas funções automáticas do organismo: respiração, temperatura, tônus muscular, ciclos de vigília e sono.
  2. Segundo nível: a auto-regulação acontece quando os bebês começam com a busca visual, monitoramento do ambiente, atenção seletiva, coordenação do sugar, soprar, respirar e na vocalização. Essas estratégias não são aprendidas nem produzidas de forma consciente, mas vão ficando cada vez mais sofisticadas ao longo do desenvolvimento e na habilidade para escolher, usar e refinar essas estratégias sensório-motoras na auto-regulação do alerta.
  3. Terceiro nível: agora a auto-regulação é coordenada com certas habilidades cognitivas para resolver problemas, auto monitoramento, reconhecimento da necessidade de um nível de alerta, organização, planejamento, sustentar atenção, memória, organização do espaço, intenções e iniciativas.

De acordo com as autoras, o Programa Alerta pretende trabalhar o primeiro nível de auto-regulação estimulando o terceiro nível, utilizando certas estratégias que são próprias do segundo nível. O Programa Alerta também trabalha diretamente com as habilidades cognitivas do terceiro nível para promover aos estudantes, informações que os auxiliam a reconhecer o nível de alerta necessário para uma determinada tarefa.

Existem algumas etapas a serem cumpridas pelo paciente quando usamos o Programa Alerta, dentre eles, ensinar as crianças quais são os 3 níveis de alerta, fazer atividades para que eles possam reconhecê-los, ensinar a criança a identificar os seus estados de alerta durante o dia, experimentar estratégias de auto-regulação, entre outras atividades.

O material usado pelo programa é rico em ilustrações, tabelas e até construção de gráficos.

 

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Algumas orientações sugeridas pelo Programa

Como já é característico no trabalho da Integração Sensorial, aqui também utilizamos diferentes sistemas sensoriais para auto-regulação:

  • Paladar: usar brinquedos ou alimentos: morder, mastigar, soprar, diferentes texturas e sabores;
  • Movimento: pular, andar, correr, sentar em cadeiras que balançam, sentar na Bola Suíça, brincar no playground,, pendurar-se. usar atividades com peso, resistência, etc;
  • Tato: manipular pequenos brinquedos nas mãos, variação de temperatura, estímulos vibratórios, objetos com resistência, etc;
  • Visão: variação de luz do ambiente, cores organização visual do ambiente de estudo e de trabalho, etc;
  • Audição: variação do nível de ruído, músicas com ritmos de acordo com o nível de alerta exigido (mais calmas ou mais agitadas), etc.

Essas orientações apenas ilustram este texto para vocês conhecerem um pouco do Programa. É fundamental considerar que cada criança apresenta as suas necessidades individuais, vivem contextos diferentes e as orientações que deverão ser sugeridas à escola e à família dependem disso. Considero como fundamental do uso deste programa, na terapia e na escola, é a criança aprender a perceber e compreender o seu corpo, como ele reage em determinadas situações e o que podemos fazer pra ele trabalhar melhor.

Mais informações no site do Alert Program: www.alertprogram.com

 FONTE: Traduzido e adaptado do material Alert Program: How does your engine run? Mary Sue Williams e Sherry Shellenberger, 1996.

 

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