ABIS – Associação Brasileira de Integração Sensorial

Mais uma conquista da terapia ocupacional e da Integração  Sensorial no Brasil. Está sendo fundada  a ABIS – Associação Brasileira de Integração Sensorial. A burocracia é muita no nosso país para conseguirmos registrar e dar andamento aos processos da ABIS. Mas, mesmo com estes primeiros desafios, já  foi dado início aos trabalhos: organização da classe, fiscalização,  eventos e pesquisa.

É um grande passo para a nossa profissão e, finalmente, a regulamentação de uma abordagem que já utilizada e reconhecida em diversos países há mais de 30 anos.

Na página da ABIS você poderá consultar quais profissionais de terapia ocupacional são certificados para o uso da abordagem de IS no Brasil, poderá tirar dúvidas, atualizar-se em pesquisas, artigos e eventos.

Acesse: http://www.integracaosensorialbrasil.blogspot.com.br

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Defensividade tátil

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O Sistema Tátil, ou a sensação do toque, exerce uma parte muito importante em determinar o comportamento físico, mental e emocional dos seres humanos. Todos nós, desde a infância, precisamos continuamente de estímulos táteis para nos manter organizados e com bom funcionamento do nosso organismo.

Nós recebemos os estímulos táteis através das nossas células receptoras – chamados de receptores – que ficam localizados na nossa pele, da cabeça aos pés. Sensações de toque, sejam eles de toque leve, toque profundo, alongamento da pele, vibração, movimento, temperatura e dor, ativam os receptores do sistema tátil. Essas sensações são externas e vêm de estímulos de fora do nosso corpo.

Nosso corpo é constantemente ativado quando tocamos algo ou, quando somos passivamente tocados por pessoas ou objetos, por exemplo, pela roupa, pelos móveis, etc. Mesmo quando estamos sem roupa, nossos pés ainda podem tocar o chão e o ar toca a nossa pele, produzindo a sensação de temperatura.

Este grande sistema sensorial nos conecta com o mundo e nos vincula uns aos outros, começando na primeira mamada no seio materno, em um contato que é pele com pele. Este sistema e as experiências táteis nos oferecem informações sobre a nossa consciência corporal, planejamento motor, discriminação visual, linguagem, aprendizagem acadêmica, segurança emocional e interação social.

Dois componentes presentes no sistema tátil são fundamentais. O primeiro é o de proteção (ou defensividade). O objetivo deste componente é nos alertar e proteger de algum estímulo com potencial de nos machucar. Os receptores táteis para este sistema de proteção estão localizados especialmente na pele na região da cabeça, do rosto e nos genitais. O toque leve é o que estimula a resposta destes receptores.

Algumas vezes, sentimos o toque leve como alarmante, por exemplo: quando um mosquito pousa na nossa pele. Rapidamente nós o sentimos e o sistema nervoso central (SNC), recebe esta informação e “devolve” uma resposta comportamental que é a de colocar a mão e espantar o bicho para não sermos picados. É uma resposta de auto-preservação do SNC. Outras vezes, o toque leve pode nos causar uma sensação bem agradável, como o carinho de uma pessoa querida. Então, o SNC “entende”este estímulo como um input positivo.

Normalmente, a modulação das sensações de toques diferentes melhora ao longo do nosso desenvolvimento através das nossas experiências e interações com objetos e com outras pessoas. Nós aprendemos a inibir sensações que não importam naquele momento e tolerar outros estímulos que podem ser irritantes mas, não são considerados “perigosos” ao nosso corpo. Claro que quando uma pessoa estranha chega perto de nós, nosso nível de alerta aumenta, nós às vezes até encolhemos o corpo, quando uma poeira entra nos olhos, nós piscamos. Mas usualmente, nós ignoramos toques muito superficiais porque eles não nos tiram a atenção como a dor por exemplo, ou, sensações térmicas extremas.

O segundo componente do sistema tátil, nos ensina a discriminar que tipo de sensação nós estamos sentindo.  Quando sentimos a sensação do corpo quente da nossa mãe, da barba do papai, gravetos nos nossos pés, a forma redonda de uma laranja, estamos construindo consciência, intuição e conhecimento sobre o mundo que nos cerca. Aonde sentimos este toque antes? O que significa este toque? Esta sensação? E o que devo fazer a respeito disso? Com a capacidade de reconhecer e interpretar o significado dos toques, nós podemos, pouco a pouco, desenvolver a discriminação tátil.

Os receptores responsáveis pela discriminação tátil estão localizados na pele, em sua maioria, na palma das mãos e dedos, sola do pé, boca e língua. O toque mais profundo (por pressão), é o tipo do toque que estes receptores reagem.

A criança que apresenta uma hipersensibilidade tátil tem como principal problema, a ineficiência do processamento no SNC em perceber as sensações no corpo através da sua pele. Essa disfunção pode influenciar a forma como a criança organiza e usa as sensações do tato.

Esta criança, com hipersensibilidade ou, defensividade tátil, tende a apresentar uma resposta exacerbada ao toque e sempre com uma interpretação negativa, emocionalmente, às sensações de toque leve. Esta criança pode responder de forma negativa não apenas quando é tocada, mas ao antecipar o toque. Nestas situações, seu comportamento é de medo, reação de “proteção, luta e fuga” exacerbadas ou de paralisar suas reações.

Essas crianças podem apresentar comportamentos típicos como dificuldade e reações exageradas nas trocas de roupa, banho, alimentação. Podem não gostar muito de atividades como pintura usando tintas, massinhas, bichos de estimação ou o contato com pessoas. Estas crianças podem ser intolerantes aos toques de pessoas não familiares, evitando o contato. Elas saem andando pelo ambiente e evitam chegar perto, por muito tempo, de outras pessoas.

Todas as crianças precisam de informações táteis para aprender sobre o mundo. Então, como as crianças com hipersensibilidade recebem essas informações? Simples…pelo toque! Os pais sempre acham estranho o diagnóstico de defensividade tátil e relatam que seus filhos gostam de ser abraçados, geralmente carregam objetos nas mãos ao caminhar. Como dizer que eles têm problemas de defensividade?

A resposta é perceber que tipo de toque (ou estímulo) a criança evita, e qual tipo de sensação ela busca. Em um quadro típico de defensividade, observamos que as crianças evitam os toques passivos, inesperados, leves (ou superficiais) como um carinho ou um beijo por exemplo. Por outro lado, enquanto a criança evita este tipo de sensação, ela aceita e até busca de forma insistente, o toque firme e profundo, como o abraço apertado de uma pessoa conhecida.

As crianças que apresentam defensividade tátil precisam da informação do tato mais do que qualquer outra criança que tenha este sistema bem regulado, e isso vai acontecer desde a hora que a criança acorda de manhã e ao longo de todo o seu dia. Para conseguir a estimulação sensorial que o seu cérebro precisa, a criança defensiva pode apresentar um comportamento de ativar, repetidamente, o sistema tátil através do toque mais profundo (com as mãos e/ou com a boca) em superfícies e texturas que provoquem uma sensação de prazer e conforto. Por exemplo, ela pode carregar ou morder um cobertor macio, gostar de morder algum objeto, colocar brinquedos na boca que tenham uma textura específica ou carregar brinquedos (de mesma textura) em suas mãos. Esses objetos escolhidos pela criança, a ajudam se “defender” sensorialmente (e emocionalmente) de sensações inesperadas que estão no ambiente e, que neste momento, ela sente como agressivas ao seu corpo.

Com as informações deste texto, junto com as orientações do terapeuta ocupacional, você poderá conhecer melhor as crianças que apresentam este perfil sensorial e auxiliá-la a explorar o mundo com mais qualidade e menos sofrimento. A criança que é acompanhada pelo terapeuta ocupacional, na especialista em integração sensorial, vai conseguir vivenciar atividades que favoreçam a modulação do sistema tátil trabalhando com os outros sistemas sensoriais de forma integrada, com conforto e prazer. Pouco a pouco, nosso objetivo é que a criança possa aceitar novidades e aumentar seu repertório de brincadeiras e exploração do corpo e do mundo.

Se você quiser saber mais sobre este assunto ou tirar dúvidas, entre em contato ou acesse os sites para mais informações:

www.otawatertown.com

www.spdfoundation.net

www.zoemailloux.com

REFERÊNCIA: Este texto foi traduzido e adaptado do capítulo do livro: KRANOWITZ, C.S. The Out-of-Sync Child: recognizing and coping with sensory processing disorder. Part I, Cap. 3: How to tell if your child has a problem with the tactile sense. A Skylight Press Book, 2005.

Novos Projetos…

Aguardem novos projetos da INTEGRASENSE em parceria com o NIDI – núcleo interdisciplinar de desenvolvimento infantil.

o NIDI é um grupo interdisciplinar de profissionais da saúde atuantes na área do desenvolvimento infantil. Este grupo tem uma equipe fixa de terapeutas ocupacionais que atuam, principalmente, com a infância. 

Este grupo vai promover  formações, cursos e vivências que contarão com a participação de médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, educadores, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais, também atuantes na infância.

Ja já estaremos no ar com novidades desta parceria. Acessem: http://www.nidibrasil.com.br ou curtam a página do NIDI no Facebook!

 

Crianças pequenas

Recomendo aos pais, terapeutas e educadores a leitura deste texto do Prof. Dr. Lino de Macedo, que de forma sutil e pontual, nos conta a importância da repetição e exploração sensorial no brincar da criança até 18 meses. Ele sugere o trabalho com as “cestas de tesouro”. Uma brincadeira que é fácil de fazer em casa, no consultório ou na escola e que é tão rica em proporcionar conhecimento e desenvolvimento para os pequenos…

 

O que é brincar para uma criança pequena?

Prof. Dr. Lino de Macedo

Instituto de Psicologia da USP

            O que significa brincar, quando uma criança tem menos de 18 meses de vida? Que objetos lhe servem de brinquedo? Em que os adultos podem colaborar para ela brinque? É curioso constatar o quanto é comum se pensar que uma criança pequena brinca de forma parecida ao que fazem as mais velhas, quando brincam de casinha, de jogar bola, de inventar e ouvir estórias, de fazer de conta e imaginar coisas. Ocorre que, quando tem menos de 18 meses, a criança não tem recursos cognitivos e sociais para este tipo de brincadeiras. Ao que recorrem, então, para se distrair e encontrar sentido na vida? Segundo Piaget, as brincadeiras desta criança são estruturadas pelo que ele designa jogo de exercício. Neste tipo de jogo, duas condições mobilizam a atividade lúdica: a repetição e o prazer funcional. Repetição do quê? Daquilo que a criança pode fazer ou sentir em relação às coisas e pessoas de seu cotidiano. E por que prazer funcional? Porque se trata de uma repetição que não decorre de uma necessidade interna ou exigência externa, mas do interesse provindo do próprio fazer ou sentir. Para explicar o que é isto sugiro que observemos alguns vídeos no You Tube encontráveis pelo nome “cesto (ou cesta) de tesouros”, em português, ou, então, “treasure basket”, em inglês. Esta situação se refere ao dispor para uma criança de seis aos 18 meses uma cesta contendo objetos (usualmente em torno de 15 ou 20) do seu cotidiano de casa. Colheres, tampas, panelas, chocalhos, escovas, panos, papéis, mangueiras, chaves, copos são alguns dos mais de 100 itens sugeridos para comporem a cesta. E o que observamos a criança fazer com eles? Ela balança, bate, olha, morde, emite sons com a boca, mostra, produz ruídos com o objeto, balança, coloca na boca, pega, puxa, coloca e tira, esconde, reencontra. É de admirar o tempo que consomem, interessada e seriamente, realizando estas atividades. E o que aprendem? Aprendem, por exploração lúdica, pela repetição mobilizada pelo prazer funcional, muitas coisas ou propriedades dos objetos com os quais interagem. Forma, cor, textura, gosto, dureza, sonoridade, plasticidade, características das diferentes partes que compõem são um pouco do que podem experimentar sobre estes objetos. Mas, aprendem também ou aperfeiçoam os comportamentos que utilizam para interagir com eles. Aprendem a coordenar suas ações e, mais que isto, a descobrir a dupla função de um mesmo objeto ou ação. Uma coisa é olhar, pegar, por na boca e sugar quando se está com fome, outra coisa é fazer tudo isto como atividade lúdica, presidida pelo prazer funcional de sua repetição e pelo gosto de, através disto, passar um tempo, distrair. Um coisa é manejar um objeto, por exemplo, a mamadeira porque se está com fome e ela é fonte de alimento, outra coisa é brincar com ela, saborear, pelo exercício dos órgãos do sentido, as propriedades que a caracterizam como um objeto. Uma coisa é agir como meio para um outro fim, outra coisa é agir e interagir com objetos como um fim em si mesmo. A criança pequena precisa de estímulos e oportunidades de brincar para aumentar e melhorar seu repertório de ações em relação às coisas e a si mesma. E as pessoas, em especial seus cuidadores, onde estão e o que fazem nesta hora? Elas proporcionam tais oportunidades para a criança, lhes oferecem o cesto e as coisas que estão dentro dele, vigiam para que nada possa lhes ocorrer em termos de perigo, estão por perto protegendo, aprendendo e observando. Fazendo isto, eles lhes transmitem confiança, carinho e as mobilizam para o ótimo de seu processo de desenvolvimento.

Para saber mais acesse e pesquise:   http://www.youtube.com/watch?v=a0QpDgUdP_Q

Teste de Integração Sensorial e Práxis – SIPT

SIPT

 

O SIPT é uma avaliação padronizada , focada no diagnóstico de distúrbios de integração sensorial e práxis. Sua aplicação é longa  mas, muito produtiva em termos de resultados, evidências, direcionamento do tratamento e orientações. O relatório gerado pelos escores e o programa deste teste evidencia, de forma clara e objetiva, as dificuldades da criança. As escolas têm compartilhado opiniões bastante positivas dos resultados do SIPT,  dos benefícios do trabalho no contexto escolar e do esclarecimento de diagnósticos.

Segue uma descrição do teste que foi resumida e adaptada do texto da apostila do Módulo II da Certificação Internacional em IS pela WPS e USC (tradução: equipe Completude).

O Teste de Integração Sensorial e Praxis (SIPT) nos ajuda a entender por que algumas crianças têm dificuldade em aprender ou se comportar como o esperado num determinado ambiente, como a escola por exemplo. O SIPT não mede inteligência no sentido usual da palavra, mas ele avalia algumas habilidades importantes e necessárias para enfrentar o dia a dia. O SIPT não mede o desenvolvimento da linguagem, o desempenho acadêmico ou o comportamento social, mas avalia determinados aspectos do processamento e da percepção sensorial que estão relacionadas a essas funções. Esse teste também avalia a Práxis, que envolve a capacidade da criança lidar com o dia a dia físico e espacial de forma dimensional e tridimensional.

A Integração Sensorial é o processo neurológico pelo qual as sensações (a partir da pele, olhos, articulações, gravidade e receptores sensoriais do movimento) são organizadas para uso. Práxis é a habilidade pela qual nós descobrimos como usar nossas mãos e nosso corpo em tarefas especializadas como brincar, usar um lápis ou um garfo, construir uma estrutura, arrumar o quarto ou se envolver em muitas outras ocupações. Capacidade prática inclui saber o que fazer, bem como, a forma de fazê-lo. Habilidade prática é uma das aptidões essenciais que nos permite fazer e interagir no mundo.

“Dis” significa “difícil” ou “desordenado”. Disfunção do processamento sensorial pode resultar em dificuldade nas tarefas de percepção visual ou na ineficiência na interpretação das sensações do corpo. A criança com Dispraxia tem dificuldade em usar o seu corpo, inclusive em relação a alguns objetos no ambiente.

Existem 17 testes – SIPT. Eles se encaixam (de uma forma didática), em quatro tipos de sobreposição: (1) Percepção visual motora livre (2) somatosensorial (3) práxis e (4) sensório- motor.

1. Percepção Visual Motora Livre

Os testes desta sessão avaliam a habilidade de perceber e discriminar visualmente a forma e o espaço sem envolver a coordenação motora. Os testes nos possibilitam também a avaliar quais as mãos a criança usa e se cruza a linha média do corpo de forma espontânea ou tende a usar apenas um lado do seu corpo.

2. Somatosensorial

Os testes do desta sessão avaliam percepção muscular, tátil e das articulações.  Nos testes de somatosensorial as crianças são convidadas a “sentir” ao invés de “ver”.

3. Praxis

A habilidade prática é avaliada de seis maneiras diferentes: a habilidade de interpretar verbalmente instruções dadas e assumir determinadas posições; habilidade de copiar modelos simples em representação dimensional; habilidades constitucionais (esses dois últimos testes também avaliada a forma visual e percepção de espaço). Ainda, imitação de posturas corporais, movimentos e posição oral: de mandíbula, língua e lábios; imitação de movimentos seriados em posições de braços e mãos.

4. Sensório – motor

Quatro testes sensório – motores estão incluídos no SIPT pois, as suas tarefas requerem integração sensorial. O primeiro é a coordenação bilateral (habilidade de coordenar os dois lados do corpo), depois, equilíbrio estático e dinâmico, precisão motora, no qual avalia a coordenação olho-mão, capacidade prática, percepção visual e coordenação motora. Finalmente, o Nistagmo Pós Rotatório que mede a duração dos movimentos reflexos do olhos após a rotação do corpo. Este teste é especifico para identificar como o sistema nervoso está integrando as sensações do sistema vestibular.

Abaixo, os 17 testes que são aplicados e analisados no SIPT:

Visualização Espacial

Figura Fundo

Equilíbrio Estático e Dinâmico

Cópia do Desenho

Práxis Postural

Coordenação Motora Bilateral

Práxis do Comando Verbal

Práxis Construcional

Nistagmo pós Rotatório

Precisão Motora

Práxis Seqüencial

Práxis Oral

Percepção Manual da Forma

Cinestesia

Identificação de dedos

Grafestesia

Localização dos Estímulos Táteis

Integração Sensorial

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Integração Sensorial é um processo dinâmico que ocorre no Sistema Nervoso Central e envolve o recebimento de informações sensoriais que os “transforma”em respostas funcionais. Todos os dias recebemos informações sensoriais pela boca, toque, ouvidos, olhos, cheiros, posição do corpo no espaço e movimento. Integração Sensorial discrimina diferentes tipos de inputs sensoriais, ordena e eventualmente os coloca juntos em funções cerebrais.

Quando as funções do nosso cérebro estão funcionando de forma integrada e equilibrada, os movimentos do corpo são altamente adaptativos, aprende-se facilmente e o bom comportamento é um resultado natural, com sucesso nas suas interações em todos os aspectos da vida diária, na escola, no brincar, no trabalho e nas interações sociais.

Esses inputs sensoriais são recebidos pelo cérebro através dos nossos 7 sentidos: tato, olfato, paladar, visão, audição, vestibular (movimento) e propriocepção (posição do corpo). A combinação harmoniosa desses sistemas nos faz sentir seguros, nos divertir e aprender a interagir com sucesso com o meio ambiente.

 

A Disfunção do Processamento Sensorial é um termo diagnóstico, que descreve indivíduos que não conseguem processar de forma efetiva e integrada as informações sensoriais do ambiente. As informações sensoriais de um ou mais sistemas não são organizadas de forma apropriada para o indivíduo exercer suas atividades e interagir com as demandas do ambiente.

A Terapia Ocupacional, com abordagem em Integração Sensorial tem recursos específicos (avaliações padronizadas e tratamento) para trabalhar com crianças com este diagnóstico.

No Blog da Integrasense, vamos falar constantemente sobre estes diagnósticos, tratamento em Integração Sensorial e orientações à escola e família.

 

Este texto foi traduzido e adaptado da informações da OTA Watertown. para mais informações sobre integração Sensorial e Disfunção do Processamento Sensorial acesse:

www.otawatertown.com

www.spdfoundation.com

http://ot.usc.edu/academics/sensory-integration

 

Programa Alerta – Integração Sensorial

Neste post  comento e indico, uma estratégia de intervenção em Integração Sensorial chamada Alert Program. Conheci este programa com as TOs Heloiza Goodrich e Maria Cristina Oliveira. Tenho utilizado no consultório com bons resultados.

Este programa de tratamento foi desenvolvido pelas terapeutas ocupacionais americanas: Mary Sue Williams e Sherry Shellenberger. Essas autoras publicaram diversos materiais sobre o tema, inclusive as apostilas do Programa e cadernos de atividades e orientações. Quem tiver a oportunidade de trazer dos EUA ou importar pelos sites das grandes livrarias, recomendo.

A seguir, faço um resumo traduzido e adaptado da apostila para vocês conhecerem.

O Programa Alerta ajuda os estudantes a compreenderem a teoria básica da Integração Sensorial relacionada aos estados de alerta. O primeiro foco consiste em auxiliar a criança a monitorar, manter e mudar seu nível de alerta de modo que ela se adapte e consiga se comportar sensorialmente de forma apropriada a uma determinada situação ou tarefa.

Este programa foi desenvolvido para crianças com problemas de aprendizagem com idade entre 8 e 12 anos, utilizando em sua maioria, atividades que incorporam técnicas de Integração Sensorial, com abordagens cognitivas e que pode ser implementado por terapeutas, professores e familiares (sempre orientados pela TO com formação em Integração Sensorial).

 O Programa Alerta auxilia os professores a reconhecer estados de alerta dos seus alunos relacionando-os com o tempo de atenção, aprendizado e comportamento da criança; ao mesmo tempo, auxilia as crianças a reconhecerem e expandirem suas estratégias de auto-regulação numa variedade de tarefas e ambientes. Para a família, terapeutas e professores, o Programa Alerta oferece um quadro de trabalho com vocabulário, atividades e ambientes adequados que ajudam os adultos a ensinarem crianças a se reconhecer e regular-se.

Para a criança manter-se atenta, concentrada e realizar as tarefas com sucesso, de uma maneira que atenda às expectativas do ambiente, o sistema nervoso precisa trabalhar num estado de alerta “ótimo”. Isso quer dizer que, nós seres humanos, regulamos o nível de alerta conforme as atividades que estamos fazendo para nos manter atentos. Por exemplo: mais agitados numa aula de Educação Física e mais tranqüilos numa aula de leitura. Entretanto, o ideal é não estar tão agitado que possa comprometer a atenção e o desempenho no jogo na Educação Física ou não tão tranqüilo e sonolento que comprometa a leitura. Daí a importância de se auto-regular. O problema é que algumas crianças não conseguem fazer isso sozinhas…

Auto-regulação é a habilidade de atingir, manter e/ou mudar o estado de alerta de forma apropriada a uma determinada atividade ou situação. A auto-regulação envolve uma série de conexões neurológicas no cérebro, incluindo tronco cerebral, formação reticular, hipotálamo, tálamo, sistema nervoso autônomo, cerebelo, sistema límbico e todos os sistemas sensoriais incluindo o sistema vestibular e o córtex.

Os autores Cutler, StevensDominguez, Oetter e Wetsby (1993), desenvolveram uma forma didática de compreendermos o desenvolvimento da auto regulação do nosso alerta em três níveis funcionais:

  1. Primeiro nível: quando ainda somos bebês, a auto- regulação do estado de alerta acontece pelas funções automáticas do organismo: respiração, temperatura, tônus muscular, ciclos de vigília e sono.
  2. Segundo nível: a auto-regulação acontece quando os bebês começam com a busca visual, monitoramento do ambiente, atenção seletiva, coordenação do sugar, soprar, respirar e na vocalização. Essas estratégias não são aprendidas nem produzidas de forma consciente, mas vão ficando cada vez mais sofisticadas ao longo do desenvolvimento e na habilidade para escolher, usar e refinar essas estratégias sensório-motoras na auto-regulação do alerta.
  3. Terceiro nível: agora a auto-regulação é coordenada com certas habilidades cognitivas para resolver problemas, auto monitoramento, reconhecimento da necessidade de um nível de alerta, organização, planejamento, sustentar atenção, memória, organização do espaço, intenções e iniciativas.

De acordo com as autoras, o Programa Alerta pretende trabalhar o primeiro nível de auto-regulação estimulando o terceiro nível, utilizando certas estratégias que são próprias do segundo nível. O Programa Alerta também trabalha diretamente com as habilidades cognitivas do terceiro nível para promover aos estudantes, informações que os auxiliam a reconhecer o nível de alerta necessário para uma determinada tarefa.

Existem algumas etapas a serem cumpridas pelo paciente quando usamos o Programa Alerta, dentre eles, ensinar as crianças quais são os 3 níveis de alerta, fazer atividades para que eles possam reconhecê-los, ensinar a criança a identificar os seus estados de alerta durante o dia, experimentar estratégias de auto-regulação, entre outras atividades.

O material usado pelo programa é rico em ilustrações, tabelas e até construção de gráficos.

 

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Algumas orientações sugeridas pelo Programa

Como já é característico no trabalho da Integração Sensorial, aqui também utilizamos diferentes sistemas sensoriais para auto-regulação:

  • Paladar: usar brinquedos ou alimentos: morder, mastigar, soprar, diferentes texturas e sabores;
  • Movimento: pular, andar, correr, sentar em cadeiras que balançam, sentar na Bola Suíça, brincar no playground,, pendurar-se. usar atividades com peso, resistência, etc;
  • Tato: manipular pequenos brinquedos nas mãos, variação de temperatura, estímulos vibratórios, objetos com resistência, etc;
  • Visão: variação de luz do ambiente, cores organização visual do ambiente de estudo e de trabalho, etc;
  • Audição: variação do nível de ruído, músicas com ritmos de acordo com o nível de alerta exigido (mais calmas ou mais agitadas), etc.

Essas orientações apenas ilustram este texto para vocês conhecerem um pouco do Programa. É fundamental considerar que cada criança apresenta as suas necessidades individuais, vivem contextos diferentes e as orientações que deverão ser sugeridas à escola e à família dependem disso. Considero como fundamental do uso deste programa, na terapia e na escola, é a criança aprender a perceber e compreender o seu corpo, como ele reage em determinadas situações e o que podemos fazer pra ele trabalhar melhor.

Mais informações no site do Alert Program: www.alertprogram.com

 FONTE: Traduzido e adaptado do material Alert Program: How does your engine run? Mary Sue Williams e Sherry Shellenberger, 1996.

 

Um Olhar sobre os Jogos de Regras…

A proposta aqui é pensarmos um pouco sobre os jogos de regras. Quais os benefícios de se jogar com crianças na escola, em casa ou na terapia? O que elas ganham com isso? Saber esperar a vez? A ganhar e perder? Muito mais que isso….aprendem a pensar!

Pensamos no jogos de regras como uma possibilidade de desenvolver competências para as questões da escola e da vida. O prof. Dr. Lino de Macedo no Instituto de Psicologia da USP, já estudou e orientou diversas pesquisas sobre este tema, sob as mais diversas perspectivas (sempre à luz da teoria de Piaget). Quem se interessar, no final deste texto, destaco algumas referências sobre o tema. Vale à pena estudar!

Por que pensamos o jogo de regras como grande aliado ao desenvolvimento de competências? Porque no jogo é possível, e necessário, aprender noções como: letras, números, formas, imagens, vocabulário, cores, quantidade; é possível aprender a tomar atitudes frente ao jogo e com quem se joga e isso exige: respeito, disciplina, atenção, vontade e cooperação; e também, adquirir e usar habilidades cognitivas:  raciocinar, antecipar, inferir, relacionar, argumentar, ordenar, excluir, mapear, identificar…

É gostoso jogar um jogo de forma livre, brincando e pelo simples prazer funcional desta atividade. Mas é fundamental que esta atividade possa ser dirigida e compartilhada com um adulto também.

É jogando que o adulto (pai, mãe, professor, terapeuta, etc.), aprende a observar os modos de pensar de uma criança, principalmente na forma como ela enfrenta e resolve problemas. Problemas dos mais variados…desentendimentos com outros jogadores, atitude frente às regras e aos desafios mentais durante uma partida. Podemos observar os recursos que as crianças utilizam para compreender regras, jogadas, os argumentos que consegue elaborar, justificativas, antecipações, criação (ou não) de boas estratégias.

Gostaria de chamar atenção, justamente a este desafio mental que chamamos de procedimentos. Quando jogamos, nosso objetivo é vencer, certo? Para isso precisamos jogar certo (de acordo com as regras), mas, sobretudo jogar bem. Para jogar bem, as crianças precisam compreender o que estão fazendo e pensar nas suas decisões antes de tomá-las. Ou ainda, refletir e modificar uma decisão errada. É esperado das crianças durante uma partida de jogos de regras, que elas acertem e que também possam cometer certos erros. É extremamente importante que o adulto que estiver presente neste momento, permita que isso aconteça.

Quando um jogador erra e perde uma partida, é um bom momento para refletir sobre atitudes e retirar desta experiência algo que foi bom e o que não foi. Diante disso, esses pequenos jogadores poderão aperfeiçoar suas jogadas, pensar e discutir sobre erros, acertos, estratégias, etc., conseguirão antever soluções, selecionar boas ações (jogadas), identificar escolhas e substituir erros .

O “pulo do gato” está não apenas em conseguir vencer uma partida, mas compreender o que se fez para que isso acontecesse. E você, adulto pode contribuir para que isso aconteça.

Jogar com crianças que apresentam atrasos no desenvolvimento intelectual tem sido muito eficaz nas aquisições de certas noções e habilidades. Esse exercício de jogar jogos de regras, exercitando a compreensão da ações as práticas, tentando explicar as razões de uma jogada, refletindo e construindo argumentos, fortalece o trabalho intelectual na vida e na escola!

 Um pouquinho de desenvolvimento da consciência de regras…

As crianças a partir dos 6 anos de idade, estão entrando num estádio que Piaget chamou de “pré-operatório”. O interesse pelo jogos de regras começa mais ou menos neste período (para algumas crianças antes, para outras depois). Os jogos de regras possuem características que são herdadas das fases do anteriores deste período do desenvolvimento, como a repetição, o prazer funcional (sensório-motor) e as representações (simbólico). Só que nesta fase, a criança começa experimentar duas novas características: a coletividade e a competição. Aqui, a criança já começa a exercer um sentido operatório daquilo que aprendeu nas etapas anteriores, experimenta regras e exercita a transição entre as ações (aquilo que ela faz) com as operações (aquilo que ela pensa).

Piaget escreveu um livro, chamado “O Juízo Moral na Criança”(1931/1994) em que ele descreve os seus experimentos e reflexões sobre o desenvolvimento da consciência e da prática das regras na criança. A seguir, de forma bem resumida, descrevo o desenvolvimento da consciência das regras, que segue o seguinte curso: primeiro, para as crianças até 5 anos de idade, as regras são mais motoras e elas estabelecem funções de acordo com os seus desejos e não pensando num coletivo. A partir dos 3 anos de idade, elas começam a receber as regras do ambiente, imitar uma regra, mas mesmo assim, não se importam com o coletivo. Ela pode jogar tanto sozinha como com parceiros, mas ainda assim, joga por si. Inclusive, num “jogo de regras”com crianças pequenas, todas podem ganhar, se assim elas quiserem, e as regras do jogo não são definidas de forma muito clara…

Num grupo de crianças pequenas é muito comum elas inventarem jogos usando jogos convencionais como modelo, por exemplo: “pular” amarelinha “andando”, ou “de gatinho”…quem chegar primeiro vence… ou, usar as regras de um jogo convencional, por exemplo: chutar a bola na rede faz gol. Ainda que todas as crianças sigam esta mesma regra, podemos escutar: “eu ganhei” e a criança do outro time “eu também!”.

Entre 7 e 8 anos de idade, a criança, como jogador, procura vencer o seu adversário criando-se a necessidade de definir e estabelecer as regras de forma mais clara e, que funcione para todos os jogadores. Mas este grupo de crianças apresenta variações das regras de um jogo (mesmo que elas sejam padronizadas, como o futebol por exemplo). Se o grupo, em sua maioria, assim decidir. Por exemplo, observar um grupo de meninos desta idade jogando futebol, pode ser comum escutar certas combinações entre eles do tipo: “Não vale escanteio” ou “o jogador X pode pegar com a mão”,etc…

Só com 11 ou 12 anos de idade, as regras de um jogo passam a ser regulamentadas. As regras de um mesmo jogo são, inclusive, conhecidas por toda a sociedade. Por exemplo, se você juntar um grupo de meninos desta idade para jogar futebol e, durante a partida inventar uma nova regra, fatalmente irá escutar do grupo “Ah….então não é futebol!”

Lembrando sempre que, o desenvolvimento infantil não é linear e dividido didaticamente como estudamos, certo? Há intervalos e faixa etária para aquisição de habilidades, mas cada indivíduo comanda seu ritmo de desenvolvimento!

Vamos ter oportunidade de conhecer alguns jogos de regras bem interessantes, sobretudo os de estratégias. Mas por enquanto, indico alguns jogos de regras que utilizo no meu trabalho com crianças com dificuldades de aprendizagem:

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Recomendo este jogo porque além de apresentar um bom desafio mental, principalmente de antecipação, direções espaciais, identificação, relação e estratégia, ele é muito fácil de se fazer!

Este jogo parte do princípio do Jogo da Velha, portanto, você pode fazer com a sua criança desenhando a tabela no papel, na areia, com giz no chão, etc. As peças podem ser feijões, pedras, botões ou simplesmente um desenho de bolinha ou cruz. Cada jogador tem 3 peças. Coloca-se cada um na sua vez com objetivo de alinhar as suas 3 peças nas direções: vertical, horizontal ou diagonal.  Se nenhum dos jogadores fechar um alinhamento quando terminar as peças, começam então, a deslocar as peças pelas casas marcadas (na intersecção das linhas). Quem formar o alinhamento primeiro é o vencedor!

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Este jogo traz muitos benefícios na aprendizagem e desenvolvimento da criança na escola. Usei este jogo como um dos instrumentos na minha pesquisa de Doutorado. Vocês encontram as regras na internet e, inclusive, pode-se variá-las deixando o jogo mais simples e aumentando o seu grau de complexidade.

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http://www.gigamic.com

Outros jogos  comerciais que vocês encontram nas lojas e que são interessantes para esta proposta: Floresta Encantada, Dama, Cara a Cara, Senha, Conect 4.

Se você tem interesse por este assunto e quer saber mais, escreva, pergunte, comente, no nosso espaço Comentários ou escreva para: contato@integrasense.com.br

Referências para sua pesquisa. Caso tenha interesse, posso enviar o arquivo em Pdf dessas publicações.

Macedo, L. Os jogos e sua importância na escola. Cadernos de Pesquisa, n. 93, 1995

Macedo, Petty e Passos. Aprender com jogos e situações-problema. Artmed, 2008.

Macedo, L (org). Jogos, Psicologia e Educação: teorias e pesquisas. Casa do Psicólogo, 2009.

Macedo, L. Aprendizagem, jogo e ensino como elo entre culto e cultura. Revista Nova Escola, v. 39, 2011

Andreotti, AL. Jogos de regras e processos de aprendizagem de crianças com paralisia cerebral. Tese de Doutorado, Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, 2013.

Integração Sensorial na Escola

Quando pensamos num processo de tratamento com abordagem em Integração Sensorial, logo percebemos que os resultados esperados só acontecerão quando estabelecemos uma parceria eficaz com a família e com a escola. Neste espaço, com o tag “escola”, vocês poderão encontrar algumas dicas de programas específicos de IS para o contexto escolar e pequenas estratégias que possibilitam a auto regulação da criança além do espaço de terapia.

Gostaria de dedicar o primeiro post sobre este assunto com o programa de IS da terapeuta ocupacional Diana Henry, MS, OTR/L que criou o “Baú de Ferramentas” para professores, pais e alunos. Algumas pessoas aqui em SP, tiveram o prazer de realizar este curso em 2005, quando a Maria Cristina Oliveira e Heloiza Goodrich da TOI (www.toi.med.br), trouxeram a Diana pro Brasil.

Foi um curso muito produtivo e riquíssmo em estratégias de tratamento e orientações da IS para escola. Recomendo o curso caso ela volte um dia aqui pro Brasil!

O Baú de Ferramentas  nos possibilita realizar e indicar diversas atividades que são designadas a serem usadas na escola e em casa com crianças de 4 a 13 anos de idade. As atividades podem ser adaptadas para atender as necessidades sensoriais de cada criança e podem ser realizadas também em grupo.

Essas atividades compreendem em exercícios e brincadeiras que envolvem os sistemas tátil, proprioceptivo, vestibular, auditivo, visual e olfativo, visando sempre a modulação do nivel de alerta da criança, controle postural, motricidade fina, dentre outras habilidades.

Para mais informações sobre este recurso, visite o site: http://www.ateachabout.com+